Sobre a luta dos camionistas de matérias perigosas

15/8/2019

 

A Plataforma Laboral e Popular saúda os trabalhadores motoristas de matérias perigosas em luta contra o patronato, apoiado pelo Estado burguês sob a direcção do governo social-liberal PS.

 

O processo desencadeado por esta luta tem permitido a todos os trabalhadores, assim como às organizações que se propõem, sem oportunismos, representá-los e apoiar os seus interesses, nomeadamente a PLP, retirar importantes lições para o futuro do sindicalismo e da luta popular, a saber:

 

  1. O Estado burguês, conjunto de aparelhos ideológicos e repressivos ao serviço dos interesses do patronato, não hesita em usar todo o tipo de tácticas terroristas e de acosso aos trabalhadores em luta pelos seus interesses, ameaçando-os com processos disciplinares, com coimas e até com encarceramento, caso seja posto em causa o “interesse nacional”, que é como quem diz, os lucros da burguesia, neste caso do sector representado pela ANTRAM.

  2. Como temos observado, quem se fia na legalidade burguesa - na constituição da república e em outros papéis pintados - terá amargos dissabores e sofrerá pesadas derrotas na luta de classes. Se estes papéis  estiverem a pôr em causa os interesses da classe dominante burguesa e o sucesso eleitoral dos partidos que a representam, aquela e estes não hesitam em descartá-los. Assim também podem proceder os trabalhadores em luta. Só o exercício efectivo da greve ou de quaisquer outras formas de luta, mais ou menos combativas, capazes de romper com o oportunismo sindical e com o reformismo “de esquerda”, poderá assegurar os interesses de quem trabalha e impor a sua vontade, contra os exploradores.

  3. Quando as centrais sindicais e sindicatos se convertem em meras correias de transmissão de partidos da esquerda institucional que, numa deriva social-democrata e oportunista cada vez mais pronunciada, priorizam a sustentabilidade de soluções governativas de gestão do capitalismo nacional e o interesse nacional-burguês, em detrimento de se posicionarem de forma clara ao lado de quem trabalha, é expectável que muitos procurem alternativas. São precisamente as traições e os acordos de gabinete com o patronato que criam um vazio para o surgimento dessas alternativas com agendas politicas próprias, por vezes reaccionárias e populistas. A luta contra esta apropriação pequeno-burguesa dos interesses das camadas populares e laboriosas só pode ser feita mediante a criação e reforço das organizações que visam apoiar quem mais tem a perder com o chauvinismo, o racismo, a xenofobia, as políticas de exclusão social dos imigrantes e seus descendentes, ou seja, os trabalhadores mais pobres. Criticar o populismo de direita e os oportunistas de ocasião não significa deslegitimar as escolhas dos trabalhadores relativamente aos seus representantes eleitos, nem as suas lutas, mas antes alertar para os limites e os perigos dessas escolhas.

  4. É cada vez mais evidente que a dicotomia de interesses na nossa sociedade e na política não é entre a “esquerda e a direita” parlamentares ou com ambições institucionais, mas entre aqueles que escolhem o lado da burguesia ao assumir a gestão do seu Estado de classe, com uma fachada mais social, mais liberal ou mais conservadora, com pafiosices ou geringonças, e os outros, aquartelados e ainda pouco numerosos e pouco organizados, que, contra tudo e contra todos, se propõem defender apenas e só os interesses dos trabalhadores, propondo uma alternativa económica e política em que quem manda é mesmo quem trabalha e quem não quer trabalhar não manda nada.

 

Manifestamos todo o nosso apoio à luta dos motoristas e cremos que com a força e união que têm demonstrado será possível uma vitória total e o atender de todas as suas reivindicações.

 

 

Viva a Luta dos motoristas!

Partilhe no Facebook
Partilhe no Twitter
Partilhe no Linkedin
Please reload