Sindicatos da STCP assinam acordo que reduz salário real de trabalhadores

27/8/2018

 

 

No dia 14 de Agosto os sindicatos que se arrogam representantes dos trabalhadores e trabalhadoras da STCP  - SNM, STTAMP. FECTRANS/STRUN, SMTP e SITRA - assinaram um acordo para aumentos de salários entre os 13 e os 17 euros.

 

Este aumento irrisório fica bem abaixo da reivindicação inicial dos sindicatos, de 4% de aumento, que, refira-se, já era de conluio com a administração da empresa. Isto significará que quem trabalha na STCP terá um aumento máximo de cerca de 1,4% (após descontada a inflação prevista para o ano corrente). 

As trabalhadoras e trabalhadores que têm mais anos de casa, cujos salários se situam nos escalões e grupos da metade superior da tabela salarial, irão ter aumentos inferiores à inflação, o que significa que os seus salários reais diminuirão.

É de referir que a inflação de 2019 irá também eliminar o pequeno aumento de 1,4% atribuído a quem aufere os salários mais baixos.

 

Depois de uma década sem revisões salariais, os sindicatos assinam um acordo que é uma autêntica traição aos trabalhadores.

 

A PLP apoiou a moção apresentada por um colectivo de trabalhadores no passado dia 31 de Julho, mas que, por via da fraca adesão ao plenário, não foi aprovada, muito embora tenha sido apoiada por muitos dos presentes.

Passamos a divulgá-la:

 

“Caros colegas,

 

Todos estamos cientes das dificuldades do trabalho que desempenhamos.

 

Cabe também lembrar que o nosso trabalho não só é difícil, como é extremamente importante.

A rede de transportes urbana e suburbana é o sangue da cidade. Somos nós que transportamos, e que levamos aos seus destinos, todos os dias, moradores, trabalhadores, estudantes e turistas.

 

Sem nós, a cidade pára.

 

Esta economia, injusta, que cria tantas desigualdades, tanta pobreza por um lado, tanta riqueza por outro, depende de nós.

 

Que será dos ricos, donos das empresas, dos serviços, das indústrias, se os humildes trabalhadores e trabalhadoras, explorados, tanto ou mais do que nós, não tiverem quem os transporte até aos seus locais de trabalho?

 

Que será dos empresários, dos empreendedores, da hotelaria, da restauração, do turismo, principescamente subsidiados pelos impostos de quem trabalha, por este Estado, que é mãos largas com uns, mas forreta com a maioria, que será desses empresários, se o sangue que faz movimentar a sua clientela dentro da cidade, parar de correr?

 

A economia depende de nós. Depende de todos os que trabalham.

 

Nós temos direito à nossa fatia do bolo porque, ao contrário de outros, trabalhamos para ela.

 

Estamos aqui hoje reunidos para a exigir. Não para pedinchar, não para pedir, para implorar, mas para exigir!

Depois de quase uma década sem aumentos, tendo em conta o actual contexto de crescimento económico, exigimos:

 

1. 15% de aumento salarial;

2. Redução da jornada semanal para 35h;

3. Descanso semanal alternado ao Sábado e Domingo;

4. Greve de 3 dias, que poderá ser revogada caso a direcção da STCP aceda às nossas justas reivindicações;

5. Nomeação de uma comissão de luta - 5 elementos.

 

O objectivo desta comissão de luta, constituída por um grupo de trabalhadores, será estar presente nos processos de negociação que decorram entre a CT e a direcção da STCP, por forma a garantir que os interesses dos trabalhadores são totalmente assegurados.

 

Colegas,

 

Temos que estar unidos. Temos a força da razão do nosso lado. Temos a certeza de que o que exigimos é da mais elementar justiça.

 

Devemos, pois, decidir hoje, se nos queremos contentar com migalhas, ou se queremos lutar pelo que é nosso por direito. Devemos ponderar se queremos que decidam por nós, ou se devemos ser nós a decidir democraticamente até onde estamos dispostos a ir, para relembrar a todos, a importância do nosso trabalho.

Peço-vos que exponham as vossas dúvidas e que votem esta moção, estas reivindicações e este plano de acção e de luta.

 

Obrigado a todos.”

 

A PLP continuará a apoiar a luta dos trabalhadores por um aumento que permita recuperar a diminuição dos salários reais que, caso o actual quadro se mantenha, irá continuar.

 

A greve marcada para o mês de Setembro em data coincidente com o início das aulas e para o primeiro dia útil de cada mês, deve avançar, até que sejam observados os mais imediatos e elementares interesses dos trabalhadores, nomeadamente as reivindicações que constam da moção supracitada.

 

Os compromissos orçamentais que as muletas do governo social liberal PS estabeleceram, não dizem respeito à nossa classe, a classe dos trabalhadores.

 

Só a luta consequente de quem trabalha, contra o Estado burguês, os seus gestores e os seus apoios travestidos de “esquerda”, poderá assegurar vitórias.

 

As trabalhadoras e trabalhadores da STCP podem contar connosco!

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