PLP apoia 2.º acto público da Assembleia de Moradores do Porto

20/6/2018

 

Teve anteontem lugar o segundo acto público convocado pela Assembleia de Moradores do Porto.

 

Tratou-se de um protesto contra os despejos, que se realizou junto à CMP, a propósito da assembleia extraordinária convocada pelo BE, com o objectivo de discutir essa problemática.

 

Esclarecemos que, ao contrário do que afirmaram alguns órgãos de comunicação social, a acção foi, como já referimos, organizada pela Assembleia de Moradores do Porto e não por qualquer grupo ligado à esquerda reformista institucional.

 

Um desproporcionado aparato policial foi mobilizado para o local, tentando identificar, com objectivos claramente intimidatórios, algumas moradoras.

Liderando o grupo de esbirros esteve o polícia Francisco Neto, "Chefe Neto", como gosta de se autoapelidar, o mesmo envolvido no despejo da escola da Fontinha.

 

As moradoras e moradores fizeram chegar alto e bom som à assembleia que decorria, a sua indignação relativamente ao processo de venda a retalho do centro histórico e das suas habitações em particular.

 

Rui Moreira continuou a insistir na ideia de que a marcha triunfal da burguesia, que se está a apoderar a passo acelerado de todo o centro da cidade, não deve ser travada mas que a solução passa pela habitação social, para a qual afirma não ter "caroço". De um burguês não se pode naturalmente esperar nada que vá contra os interesses da sua classe. Rui Moreira já deixou claro que, para si, o povo trabalhador pobre não tem lugar na cidade. Terá que ser o povo organizado e em luta a provar-lhe que está enganado.

 

Os partidos da esquerda reformista, com a demagogia a que já nos habituaram, propuseram na assembleia municipal a revisão da lei das rendas, apesar de saberem perfeitamente que não é esse o local próprio para o efeito.  No entanto, aprovaram na assembleia da república, no âmbito da aliança de governo que sustentam, a actual lei de arrendamento, que, obviamente, beneficia os senhorios, e que continuará a beneficiá-los enquanto a vontade e combate popular não impuserem o direito à habitação.

 

As doze moções propostas pela esquerda reformista, que consistiam essencialmente na criação de comissões burocráticas, para avaliarem aquilo que está à vista de todos – a expulsão do povo para as periferias – foram todas, sem excepção, reprovadas. Isto deixa, mais uma vez, clara a inutilidade destas tentativas de resolver os problemas do povo em sede de instituições do Estado burguês.

 

A PLP reconhece as extremas limitações dos trâmites da legalidade burguesa. A História já demonstrou, inclusive no Porto, que foi precisamente o caminho “institucional” que conduziu à dissolução dos órgãos de poder popular constituídos durante o período revolucionário 74-75. Isso contribuiu para que chegássemos à actual situação de emergência social. Apoiaremos na prática a Assembleia de Moradores do Porto, acreditando que será nas ruas e não nos gabinetes e comissões do Estado burguês que alcançaremos os nossos objectivos.

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