Sobre a primeira ronda das eleições parlamentares francesas

12/6/2017

Na primeira ronda das eleições parlamentares francesas, há uma clara vitória a reconhecer – a da abstenção. 51.3% dos franceses optaram por não ir às urnas. Apesar da vitória da coligação EM/Modem (En marche!/Mouvement démocrate), liderada pelo banqueiro aristocrata Macron, os números recorde da abstenção, dão, por um lado, conta das cisões e contradições no seio da sociedade francesa e, por outro, do descrédito que os partidos de turno da burguesia,  LR (Les Républicains) e PS (Parti Socialiste), as instituições democrático-burguesas e a “esquerda” que acerrimamente as defende, colhem junto das massas.

 

Macron, que proclama independência e centrismo, risíveis, no entanto, à luz do seu percurso político liberal e da sua condição de classe, será, tal como Hollande, o capataz da burguesia, ou seja, o executor da recuperação dos lucros da classe dominante, à custa de reformas liberalizantes, antipopulares, que, no passado recente, enfrentaram a mobilização e resistência dos mais amplos sectores do trabalho, ainda que a radicalização das lutas estivesse condenada à partida, porque enformada pelo reformismo - reformismo esse que os franceses rejeitaram de forma veemente nas urnas, como se conclui pelos fracos resultados eleitorais, tanto do PCF (Parti Communiste Français) como do FI (La France Insoumise).

 

As políticas anunciadas por Macron constituem já um prenúncio da polarização que se adivinha, no curto/médio prazo, na sociedade francesa: A radicalização da pequena-burguesia e de determinados sectores assalariados das camadas intermédias, transmutados em massa de manobra do chauvinismo pro-fascista da FN (Front National), de um lado e as camadas populares mais desfavorecidas, de trabalhadores, estudantes, imigrantes e descendentes, desiludidas com a esquerda reformista e eleitoralista e o sindicalismo oportunista e conciliador, que não têm quaisquer respostas para a revolta das massas contra as estruturas do Estado burguês, de outro.

 

Sem uma organização revolucionária, que mobilize as massas de oprimidos, por via de uma política consequente e combatente, de ruptura com o oportunismo e de confronto com as instituições de classe da burguesia, a luta de classes não poderá alcançar o seu objectivo último - a tomada do poder pela classe dos trabalhadores - retumbando assim no caos e na desmoralização das camadas populares.

 

A Plataforma Laboral e Popular frisa a crucial importância do surgimento de tal organização, nascida do descontentamento e da consciência de classe do povo trabalhador francês.

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