Nota de Repúdio

7/3/2017

1 – A Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (AEFCSH) aprovou recentemente, em Reunião Geral de Alunos, uma moção reivindicando a não-realização de uma conferência do Sr Jaime Nogueira Pinto na sua faculdade. Aprovou também a organização de acções combativas de protesto em caso de realização da dita conferência, que a direcção da citada faculdade considerou serem muito provavelmente acções violentas, cancelando prontamente o evento.

 

2 – O Sr Jaime Nogueira Pinto, é importante recordar, é o mesmo senhor que, nos anos 70, se opunha ao Governo de Marcello Caetano por ser «criptocomunista», e reclamava um regresso à «pureza dos valores de Maio». O Sr Jaime Nogueira Pinto, convém lembrar, é o mesmo cavalheiro que apoiou os movimentos que procuravam a «independência branca» das colónias –  isto é, soluções ao estilo da da África do Sul e da Rodésia para Moçambique e Angola. África do Sul na qual, aliás, o Sr Nogueira Pinto encontrou aconchego e pão quando saiu enxotado das ex-colónias. Para anos depois reaparecer em Portugal como conceituado académico, a defender a invasão do Iraque, a escrever livros sobre o Islão onde a pretexto de teorizar sobre teologia e política dá vazão ao seu racismo da vida inteira, e a defender Salazar como «melhor português de sempre» num programa de TV. Pessoas como o Sr Jaime Nogueira Pinto não têm lugar no debate político. Nos termos da lei burguesa, se essa mesma lei se fizesse respeitar, teriam lugar era na cadeia.

 

3 – Ante a firme resolução dos estudantes da FCSH, a associação do Grupo dos Nove, também conhecida como Associação 25 de Abril, veio a terreiro oferecer as suas instalações para que o dito senhor possa discursar perante os seus jovens discípulos, gente de um grupelho saudosista  do fascismo chamado Nova Portugalidade. O nome do grupelho diz tudo, e as declarações da associação do Sr Vasco Lourenço, afirmando «repudiar» quem não quer deixar campo aberto às forças obscurantistas contra as quais se fez o 25 de Abril (o do povo, pelo menos) esclarece o que falta.

 

4 – Perante estes acontecimentos, a Plataforma Laboral e Popular saúda calorosamente os estudantes da FCSH que se ergueram para negar espaço, no seu local de estudo, a que sejam defendidas as ideias de um fascista. A luta política é um combate diário, sem tréguas, entre os que querem o fim da opressão e da exploração em todas as suas formas,e os que querem manter perpetuamente os privilégios, a desigualdade, a opulência de uns à custa da desgraça de quase todos. Não há uma desigualdade de opiniões, uma diferença de perspectivas, uma divergência que possa ser debatida. Há um antagonismo de vida ou morte, que importa assumir prontamente, e à luz do qual tomar decisões firmes e determinadas. Por outras palavras, e como diz o célebre slogan, contra o fascismo, nem um passo atrás.

 

5 – Ao mesmo tempo, a Plataforma Laboral e Popular condena a repugnante decisão da associação do Grupo dos Nove de dar a cobertura de uma estrutura que se reclama defensora do 25 de Abril à realização de uma palestra fascista. De facto, é cada vez mais claro que estilo de «democracia» defendiam para Portugal os Mellos Antunes, os Vascos Lourenços, os Ramalhos Eanes, que travaram o passo ao movimento popular. É conveniente que o povo trabalhador veja a máscara a cair a estes figurões e figurinhas que ainda há dois ou três anos se exasperavam contra «o PREC da direita» de Passos Coelho, num exercício hipócrita. Bom para que perceba que nada tem a esperar destes pretensos democratas que tão depressa e tão bem acamaradam com os fascistas encartados. O povo trabalhador conta apenas com as suas próprias forças no combate de classe contra classe que o haverá de libertar.

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