IberAquisições expulsa moradores da Mouraria

27/2/2017

 

 

A empresa de investimentos imobiliários IberAquisições, proprietária de um prédio cito na Rua dos Lagares, na Mouraria, intimou os inquilinos a abandonar as suas casas entre o Verão deste ano e o fim de 2018.

 

O objectivo do despejo será abrir espaço à criação de mais um hostel destinado a alojar turistas de visita à cidade de Lisboa.

 

 

O processo de gentrificação da capital, que decorre há alguns anos, com total conivência da Câmara Municipal e das instituições responsáveis pela gestão do urbanismo, levado a cabo por consórcios de investimento imobiliário nacionais e estrangeiros, tem aumentado a especulação do mercado de arrendamento nas zonas históricas da cidade, expulsando no processo os moradores - que, como é o caso dos inquilinos do edifício à Rua dos Lagares, habitam há décadas nos bairros tradicionais - descaracterizando estes locais e transformando-os em meras máquinas de gerar receitas para alimentar especuladores imobiliários e a nova vaga de empreendedores à custa da subsidiação estatal, ou seja, das contribuições fiscais dos trabalhadores e da mais selvagem exploração do trabalho, em condições de extrema precariedade, a que estão sujeitos os assalariados do turismo e sectores satélites, de que é, aliás, caso recentemente mediatizado, a propósito das declarações do burguês proprietário, a cadeia de restauração Padaria Portuguesa.

 

A Plataforma Laboral e Popular reclama o direito dos trabalhadores e do povo a habitarem na sua cidade, denuncia aqueles que permitem que a capital e o seu centro histórico se transformem em meros pólos de atracção para burgueses em busca de lucros, solidariza-se com a situação dos moradores do bairro da Mouraria e compromete-se a participar na organização da resistência à gentrificação e à expulsão dos moradores, exortando à criação e à acção de comissões de bairro e de moradores.

 

As tímidas propostas de alguns vereadores da CM e o “acompanhamento social de cada uma das situações”, são manifestamente insuficientes, indignas e não resolvem nem abordam, sequer, a origem de fundo do problema - perante a agonia do capitalismo em crise, a burguesia socorre-se de todas as estratégias que garantam lucro à aplicação do seu capital, não hesitando em destruir o património sócio-cultural e em fazer tábua rasa dos direitos mais elementares dos moradores dos bairros históricos de Lisboa, sendo que só a acção e organização populares podem dar resposta, na luta, às imposições e opressões dos capitalistas e seus instrumentos e instituições de Estado.

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